A gente nasce com uma luz forte no fundo dos olhos
Luz que se encanta e a tudo seduz
Luz vadia...
Inconsciente do silêncio e do sufoco a que está propensa, se descuida, descompassa
E ofusca, e ofusca...
Até, às vezes, apagar.
Será que é assim na vida de todo mundo?
Esse medo de envelhecer, que de repente surge
Essa metáfora triste que procura driblar a apatia
Será que todo mundo se constrói e desconstrói dezenas de vezes
Antes de dormir?
Será, amor?
Noite dessas me sussurrou, passando-me a mão pelos cabelos:
Todo mundo chora, uma noite, no travesseiro.
Um pássaro corta o cinza carregando em suas penas o peso da esperança sombria;
Essa que inventamos ao perceber que na existência, o que é puro não se compromete, voraz em seu instinto
A correnteza de um rio é pura. É bonita.
Uma criança suja de sangue na maternidade,
Uma nuvem com formato diferente,
Pegadas na areia são bonitas.
Será quem vê dessa forma?
Deve-se temer a morte?
Alimentar a imponência?
Reconhecer os próprios limites?
Deve-se calcular a conduta,
Ou deixar-se solto,
Como se fosse não amanhecer o dia?