Entra na minha terra. Tateia.
Deita sobre a terra, sente o cheiro da terra nua, que exala
calor febril em dia de te receber...
Quase sinto necessidade de implorar-te, com o peito sucumbindo,
para que tenhas essa terra, cravando nela as tuas mãos,
manchando-te da tinta escura,
deleitando-te e me germinando vida.
Faz tanto dessa terra, apaixona-se, protege-a
dos outros exploradores triviais
És o único
Proprietário dessa terra, das curvas, das raízes...
És aquele que conhece a terra
e toda sua rigidez nas noites frias.
Homem de passo firme
pisando sobre a terra,
de grandes mãos então mais firmes, mas cheias de sutileza e prazer.
Mata a sede da terra
despejando o líquido do teu gozo
Despudoriza-a, subverte,
apresenta o sabor e a magia de outros frutos.
Liberta-a do latifúndio
E não esquece jamais da terra, que marcada vai ficar eternamente
pela tua densidade, tua sabedoria,
pela tua semente.