quarta-feira, 7 de maio de 2014

Silêncio. Até que se diga qualquer coisa que valha o direcionamento da intenção. Se não vale, por mais que doa estranhamente, é certo, silêncio. Silêncio de vozes ambientes, e assim, ouve-se a música. O chacoalhar das folhas da árvore mais próxima e o respirar do amorzinho platônico. Silêncio feito em chave para desvendar o ser especial... E entender os seus olhares, imaginar um tour por entre os seus pensamentos. Silêncio para sufocar a angústia pela circustância e alimentar a paciência. Para esconder as mais ferozes garras da contradição reprimida e a obscenidade que involuntariamente preenche todo o campo imenso da possibilidade imaginada. Silêncio. Vago. Terno repouso, como o subir-descer da respiração do recém-nascido, e ao mesmo tempo assustador, como quando, às vezes, fica denso no instante em que todo mundo vai dormir. Silêncio e madrugada. Cores escuras, escuro como cinema noir, o líquido púrpura dentro da taça, a ofuscada sombra. Cabelos negros enroscando os dedos numa súbita distração em simultaneidade com a tentativa de exprimir a solidão dos suspiros que escapam sem que se perceba. Frases extensas vindas de um alguém silencioso; todo barulho que produz são os pulos dos dedos ao digitar. Silêncio. O ruído do silêncio. A fábrica de idéias. Farta como a mesa do jantar de hoje, vazia como a Trajano Hells iluminada numa noite de domingo pra ninguém passar. Silêncio divino é aquele que permite a captação do riscar do lápis no papel. Aquele outro que traz a sensação de estar em comunhão com a vibração do universo, silêncio metafísico. E o silêncio que faz cenário à quentura do corpo. A interrupção do silêncio com um gemido. Um grito. E silêncio.

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