Foi feito largo, inchado,
desenhado imenso demais pra um corpo aparentemente frágil
Foi batizado por furacões, vulcões ativos e o Sol ardente
Enraizado; o sangue que pulsa por entre suas esquinas é o sangue de um povo antigo, voraz, abençoado.
Meu coração rege o meu íntimo,
meus conflitos mais secretos,
as minhas teses mais sucintas.
Meu coração sofre envolto em correntes, arrebenta e voa, em busca de uma intermitência,
e ama, e grita
e judia
de mim.
Coração passional,
funciona da energia do samba
e do whisky
e do mar. Meu coração é do mar.
Das ondas, das ventanias, das forças sobrenaturais
e dos mais impetuosos dilemas.
Um jovem velho-de-guerra.
Não inventa, não mascara.
Pulsa em descompasso e se faz o retrato do medo diante da mentira.
Pulsa em dissonância com o afinco doce dos sonhos bordados na alma
e desafia, irredutível, os próprios limites.
Meu coração quer ser amado, afagado, aquecido,
seduzido,
por outros peitos desse mundo louco,
e quer dar de volta,
dar em troca,
sutil e desapressada.
Coração bagunçado, sem métrica, sem rima.
Visceral e antropofágico,
inconstante, fantasioso,
perdido em si mesmo, de si mesmo.
Coração atrapalhado, bêbado,
trôpego, desmesurado. Um parto diário.
Delira em aspectos lúdicos e ocultos,
em traços que fugiram, escaparam da consciência.
Meu coração já enfrentou febres e chuvas das quais não imaginou sair vivo.
E de uma forma ou de outra, no fim das contas,
continua bombeando o sangue de todas as feridas,
de todos os céus vermelhos dos fins das tardes vadias.
Meu coração sabe que está só de passagem,
mas não se importa.
Porque precisa partir pra desejar voltar.
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