me faz voltar pra mim
talvez eu seja triste assim
perdida por entre a vastidão dolorosa, as luzes, o ar carregado de fumaça.
talvez a minha grande verdade seja apenas
a sujeira da minha bota,
andei tantas vezes por essas ruas.
algo aqui me faz querer estar só,
e representa a minha realidade de tal forma que, por uns instantes,
até parece mentira;
parece mentira o tempo ter passado tão depressa,
as lembranças se desbotando lentamente, e ainda assim ter medo do adiante,
e ainda assim sorrir a cada vez que uma epifania, um sonho transitório me atropela.
olho tudo como se fosse a primeira vez!
as caixinhas de dinheiro (sempre imagino um desvairado roubando alguma delas às pressas), a poesia de quinta da qual sei que faço parte, os engraxates - e a oprimida piedade.
mesmo que já tenha visto milhares de vezes,
olho os prédios altos, os pombos destemidos, observo o movimento característico do tráfico local,
germinando idéias interrompidas pelas artes de rua.
pus numa caixinha de dinheiro uma prenda diminuta; um pé do meu brinco mais bonito.
meu coração bate no coração da cidade insone.
Nenhum comentário:
Postar um comentário