domingo, 11 de outubro de 2015

Procura-se
















Procura-se uma companhia inusitada,
alguém que colecione nos fios de cabelo as opções que fez sem temor,
os momentos que gosta de lembrar.
Procura-se alguém que não procure a palavra certa para exprimir no momento exato,
apenas diga. Mas diga devagar...
Alguma combinação esdrúxula sem compromisso, algo que não se quadra,
que escapa facilmente pelos olhos,
janela da alma que tantos preferem manter cerrada.
Procura-se uma boca pra dividir um café, sorrir porque em algum lugar tocou
sua música preferida.
E divagar sem se dar conta das horas, trocar confissões.
Sei lá.
Que conte uma história qualquer. Um negócio divertido.
Que invente versos à medida que o vento sopra as folhas do outono,
escrevendo no guardanapo.
Alguém que fume um cachimbo. Que use um chapéu engraçado.
Ou, simplesmente, que esqueça de amarrar os sapatos,
distraído com as mudanças da lua.
Assim, comovido pelos pequenos milagres,
observador do essencial,
confiante em sua humilde sabedoria,
e passível de imperfeições, de sentimentos intensos.
Procura-se certa inocência.
Aquilo de entregar sem pensar em receber,
de fazer por bondade, por prazer.
Procuro quem me acrescente conteúdo,
quem não me sufoque em sua mais bela reclusão.
Talvez meio anacrônico, meio desajeitado.
Talvez entediado desse mundo,
talvez como eu,
talvez o oposto de mim.
Procura-se um ser-humano nessa selva de concreto.
Um amigo.

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