domingo, 17 de janeiro de 2016

Crise



Um, dois
Um, dois, três
Fugaz
A percepção de que o meu pecado compactua com o egoísmo me invade
Assim como as lembranças mais densas
Os toques sujos dos homens
Os amantes perdidos
Remorsos afiados, corações partidos
E estilhaços de ódio
Todos os meus medos acordam
Quebram as janelas
Me devoram de dentro pra fora
Um, dois
Taquicardia
O meu ridículo vertendo, transparecendo
Entre contrações violentas na tentativa de segurá-lo, em vão
Todas as vergonhas
Todos os horrores
A face da morte
A poder da injustiça
O podre da fome
Dois, três
Confusão
O verbo se transfigura
O olhar se perde
Não sinto meus membros
Não sinto
Apenas fecho os olhos e desejo
Nunca mais acordar.

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